Pois bem, ontem à tarde eu me dispus a ajudar o meu pai em uma tarefa, precisa levar uns documentos dele em um município vizinho ao que nós moramos, ele é professor de matemática, e fora convocado para dar aulas em tal município.
Mas na execução desta ajuda ao meu pai, um senhor que aguardava para ser atendido pela superintendente resolveu puxar assunto comigo, perguntando se eu iria “pegar umas horinhas”, então expliquei que era apenas um favor ao meu pai, e ele insistiu na conversa, se apresentando como professor de Filosofia.
Então resolvi me expor a tal contingência, e falei sobre o curso de Psicologia que estou concluindo, revelei que as aulas de filosofia e literatura durante meu período escolar me direcionaram a tal escolha, e foi quando o assunto direcionou-se aos manifestos dos estudantes pela redução do preço da passagem, e sobre as manifestações populares no mundo islâmico.
Neste momento fui surpreendido com a seguinte afirmativa: “as pessoas tem que ter objetivo nesse tipo de manifestação, pois, os alunos que lideravam as manifestações há trinta anos, são os políticos alvos das manifestações de hoje, e eu era um daqueles jovens, mas não dei sequência na vida política, e hoje esses políticos estão ricos”.
Percebi na voz e na expressão do professor um ligeiro desapontamento por não ter ficado rico, sim, isso mesmo, não foi desapontamento pela controvérsia de alunos chegarem ao poder e se tornar alvos. Pensamentos automáticos de repulsa tomaram conta dos meus processamentos cerebrais.
E percebi que o real interesse de muitos é apenas o beneficio do poder. E me perguntei: “será que os egípcios queriam exercer cargos políticos ou queriam liberdade política em seu país?”
A cada dia de protesto nos países islâmicos, milhares de pessoas morrem em prol de suas ideias, morrem por acreditaram que seu país pode ficar livre dos regimes ditatórios.
Em nosso país, quando ocorre uma manifestação, a população que esta fora de tal manifesto muitas vezes demonstra total intolerância com o mesmo, muitas vezes sem nem procurar saber a razão do mesmo.
Quando um grupo de estudantes para o fluxo de uma avenida, ele não faz isso apenas por ele, ou pelo menos não deveria, mas faz pela diarista que gasta muitas vezes, mais de R$ 5,00 de transporte por dia, ou pelo pai que com um salário mínimo tem a vida dificultada pelos impostos.
Vivemos em país caro para sobreviver, não é barato comprar mantimentos, remédios, se deslocar, com o salário que temos em nosso país. Enquanto isso os deputados e senadores da república aumentam seus próprios salários em 60% sem problema algum, e se recusam a aumentar o salário do povo, ou a diminuírem os impostos cobrados, ou a simplesmente humanizar os atendimentos públicos.
Eu sou patriota, e um trecho do hino da independência mexe muito comigo:
Brava gente brasileira!
Longe vá, temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.
Longe vá, temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.
E me pergunto, quando a minha pátria ficará livre dos que querem a política para o seu próprio beneficio? Quando as pessoas vão parar de temer expor sua indignação? Quando nós vamos parar de nos omitir diante os fatos de corrupção?
Quantos estão dispostos a enfrentar os fatos, e dar a vida pela pátria?
No Egito, que já foi à nação mais poderosa do mundo antigo, o povo depôs o seu último “Faraó”. Na Líbia pessoas estão morrendo todos os dias pela liberdade política de seu país. Na Grécia houve revolução. Na Tunísia, houve Vitória.
Mas enquanto aceitarmos do restante do mundo, e de nossos políticos, que somos terceiro mundo, e nos entregarmos a isso, continuaremos lutando contra o mosquito da dengue ao invés dos corruptos, continuaremos reclamando do ensino deficiente ao invés de protestar contra a anulação do estado em relação ao ensino, continuaremos morrendo em pronto-socorro por falta de atendimento, ao invés de ter saúde para lutar.
OU FICAR A PÁTRIA LIVRE, OU MORRER PELO BRASIL!!!
Mas só será verdade, quando deixarmos de ser MANSA, PASSIVA E INOFENCIVA, GENTE BRASILEIRA.
É isso meu caro amigo. Gostei do texto. Bem acalourado. Me pergunto se você não interpretou mal o pobre homem, mas isso não vem muito ao caso, porque se ele tinha mesmo esse direcionamento que você apontou, sua crítica é muito válida.
ResponderExcluirO grande problema do mundo é que pensamos muito em escala global, e na hora de agir de forma local ficamos desapontados com o esforço achando que de nada ele vai resultar.
Por isso não damos atenção e achamos que são só baderneiros os estudantes que para as ruas para protestar sobre passe livre ou aumento do salário dos políticos por eles mesmos. Absurdos políticos à parte cometemos os nossos próprios absurdo quando não damos valor a essas lutas.
Um abraço.
Bom vê-lo voltar ao blog!